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  ESCORRER

Escorrer.

#149

1/30/2017

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​senhores turistas,
eu gostaria de frisar mais uma vez
que nestes blocos de apartamentos
moram inclusive pessoas normais
Nicolas Behr.
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#148

1/27/2017

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OUTRO

Perdi meu senso de urgência.
Não sei se foi antes ou depois
daquela lambida, seus anticorpos
e o meu corpo no que ia
submergindo, derretendo as traves.

Qual o meu interesse
qual o quê eu não sabia
essa casa está doente
e o tamanho da minha mordida
não será maior que qualquer estrada.

Aqui dentro não há mais vaga.
Aqui dentro não há mais nenhuma vaga.

Perdi mais objetos que encontrei
e agora a maior parte deles
existe sem os nomes que lhes dei.
Volto à sua língua, sua lambida:
corta, abre, costura e fecha.
Laura Liuzzi.
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#147

1/25/2017

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Que a palavra te redima do erro. Que a palavra seja o erro.
Deslizas sobre a terra. Deslizas sobre as águas.
Tudo é veloz e extremo. Pó em torno da tua dor. Pó em torno do teu choro.
O que te atinge em pleno voo. A cegueira que te atinge em pleno voo.
Ergues-te para a mais secreta alegria de abandonares o teu corpo.
Que a palavra te redima do erro. Que a palavra seja o erro.
A tua história, onde escreveste o indefinível do teu nome. Eras criança.
Estendias as tuas asas. E as tuas asas
faziam a imensa sombra sob a qual se abrigava
o que era reconhecível e amável.
Deslizas sobre a terra. Deslizas sobre as águas.
Tens o talento antigo de estenderes as tuas asas. Agora quebradas,
para sempre quebradas. Já sem a amplitude do início,
é no ocaso que escondes a tua vergonha.
Por tua vontade, desejo e mágoa
exumas a palavra do passado, a inocência que o não era.
Que a palavra te redima do erro. Que a palavra seja o erro.​
Luís Quintais.
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#146

1/24/2017

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MARGINAL RECIFE

Recife
Cidade das pontes
E das fontes da miséria
Poetas mendigando passes
Pra voltar pra casa
E sua poesia passando despercebida
Aliás,
Nem passa.
Miró da Muribeca.
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#145

1/23/2017

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irmão

mãos trêmulas
vontade de matar-se para esquecer
fuga de si
para outra vez ser genuíno
voltar do naufrágio hepático
limpo, intacto

menino afogado no fígado
Danilo Bueno.
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#144

1/20/2017

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​Na ponta dos dedos
batem as palavras sísmicas.
E a testa abre-se profusamente
à força do nome.
Digo: aquele que escreve infunde o prodígio,
respira ao cimo com a luz nos pulmões,
atravessa como se florisse nos abismos. 
Jorge Melícias.
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#143

1/19/2017

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XXX

Entrar de navalha em 
punho
enterrar no verbo os
dois gumes
bem fundo e certeiro
corpo a corpo.
Esperar que sangre
a salvação carmim
um verso de ponta e
mola.
Marta Bernardes.
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#142

1/17/2017

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Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos.
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#141

1/16/2017

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Considerações de Aninha

Melhor do que a criatura,
fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço,
normas e costumes.
Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos.
Cora Coralina.
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#140

1/13/2017

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RESERVADO AO VENENO

Hoje é um dia reservado ao veneno
e às pequenas coisas
teias de aranha filigranas de cólera
restos de pulmão onde corre o marfim
é um dia perfeitamente para cães
alguém deu à manivela para nascer o sol
circular o mau hálito esta cinza nos olhos
alguém que não percebia nada de comércio
lançou no mercado esta ferrugem
hoje não é a mesma coisa
que um búzio para ouvir o coração 
não é um dia no seu eixo
não é para pessoas
é um dia ao nível do verniz e dos punhais
e esta noite
uma cratera para boémios
não é uma pátria
não é esta noite que é uma pátria
é um dia a mais ou a menos na alma
como chumbo derretido na garganta
um peixo nos ouvidos
uma zona de lava
hoje é um dia de túneis e alçapões de luxo
com sirenes ao crepúsculo
a trezentos anos do amor a trezentos anos da morte
a outro dia como este do asfalto e do sangue
hoje não é um dia para fazer a barba
não é um dia para homens
não é um dia para palavras
António José Forte.
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